sábado, 24 de outubro de 2009

Temperatura pode subir até 8º C no Brasil.



Estudo desenvolvido pelo Met Office Hadley Centre a pedido do Departamento de Energia e Mudanças Climáticas (Decc) do Reino Unido mostra que, caso não seja possível frear a elevação da temperatura a 2º C e ela suba 4.º C acima do patamar pré-industrial, a Terra vai aquecer mais rapidamente do que o mar, e as altas latitudes, particularmente o Ártico, terão elevações maiores. A média da temperatura em terra será de 5,5°C acima dos níveis pré-industriais. Pelo cenário traçado pelo Met Office, no Brasil, a temperatura vai aumentar entre 5°C no litoral e 8°no interior do País.

O trabalho foi realizado tendo como base os cenários de emissões construídos pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Com base no nível de emissão, os cientistas do Met Office e instituições parceiras fizeram projeções do aumento de temperatura da Terra e os efeitos que essa elevação causaria. O estudo foi divulgado pelos ministros das Relações Exteriores do Reino Unido, David Miliband, de Energia e Mudanças Climáticas, Ed Miliband, e pelo cientista-chefe do Reino Unido, John Beddington.

Impactos - De acordo com o estudo, serão registradas redução na oferta de água, menor produção agrícola, maior incidência de temperaturas extremas e secas, aumento dos incêndios florestais e elevação nível do mar.

A produção de cereais vai registrar forte queda no mundo. Os reservatórios de água sofrerão diminuição de 70%. Metade das geleiras do Himalaia será significantemente reduzida até 2050, o que levará 23% da população da China a ser privada de fonte de água do degelo durante a estação seca.

"Se as emissões continuarem nos níveis atuais, a média de temperatura global provavelmente irá crescer em 4°C até o fim deste século ou até bem mais cedo. A ciência nos mostra que nós teremos impactos amplos e severos em todas as partes do mundo, então precisamos agir agora para reduzir emissões e evitar as faltas de água e comida no futuro", disse o chefe da área de Mudanças Climáticas do Met Office, Vicky Pope.

"Este estudo mostra que os riscos não poderiam ser mais altos nas negociações de Copenhague. Os cientistas ajudaram a ilustrar o efeito catastrófico que resultaram do fracasso de limitar o aquecimento global em 2°C. Com menos de 50 dias antes que um acordo seja feito, o Reino Unido está se esforçando para persuadir o mundo de que precisamos aumentar nossas ambições para que consigamos um acordo que nos proteja de um mundo de 4°C", disse Ed Miliband, Ministro de Energia e Mudanças Climáticas, que esteve no Brasil em agosto. Para David Miliband, "nós não podemos lidar com um mundo de 4°C".